Em palavras: Uma carta para as várias Amandas dentro de mim..

 Hoje, enquanto observava os raios do sol preenchendo meu quarto e me despertando para mais um dia, tive uma súbita sensação de que havia me perdido dentro de mim mesma. Reconhecia alguns perfumes, risadas, reclamações, ideias, decisões, pensamentos e até sensações. Mas, percebi que nenhuma dessas coisas eram realmente minhas. É o que acontece quando convivemos com tantas pessoas, admiramos algumas, nos chateamos com outras, nos impressionamos com poucas e acabamos não sabendo onde fomos parar no meio disso tudo.

 Nos entregamos de tantas maneiras, boas ou ruins, aos outros, que acabamos nos esquecendo que, para seguirmos nosso caminho, ainda que não tenhamos decidido qual será, precisamos olhar para dentro e dar atenção a cada sorriso natural que acabou saltando dos nossos lábios, das lágrimas que permearam nossos olhos, daquele arrepio nos braços que nos deu a certeza de que aquela música/filme/livro ou qualquer outra coisa que tenha chamado nossa atenção, vai ficar registrada em nossa memória por muuuuuuuuuuuuuuuuito tempo.

 Talvez exatamente por isso a gente se sinta tão perdido nessa longa avenida chamada de vida. Vez ou outra escuto coisas como “se você não sabe para onde ir, qualquer caminho serve.” Acontece que é um trabalho árduo você ter a coragem de olhar para si e se permitir decidir por coisas que deseja, apesar de sempre existir alguém para nos chamar de loucos. Você tem direito de ser quem é (o que significa muito mais do que “você tem direito de ser quem quiser”), afinal de tudo será apenas você que assumirá a responsabilidade das consequências de suas atitudes. E é sempre bom lembrar do Princípio da Semente e aprendermos que elas passam por um longo período sob a terra, e ali, sem contato com a luz do sol, elas precisam contar somente com energia contida dentro de si mesmas para superar a força da terra e rompê-la. Só então dizemos que a planta nasceu.

 Contudo, acredito que é tão impossível termos essa energia apenas por cumprirmos o que os outros consideram importantes, quanto apenas por nossa própria força termos condições de emergir do buraco de nossas angústias e medos. Mas, acredite, temos esses dois conceitos dentro de um só, porque eu sei que Deus é o mais confiável para nos ajudar a seguir o caminho, sem fazer com que nos percamos dentro de nós mesmos, bem como ja aprendi que a força dentro de nós capaz de nos fazer sobreviver, vem Dele.

 Depois do momento de angústia, contratei a Amanda-investigadora e fui fazer uma busca pelas fases boas da minha vida (chega daquela mania de olhar para o passado apenas para nos culpar ainda mais daqueles erros que facilmente nos esquecemos que eram humanos). Relembrei histórias, músicas, cheiros, sabores, lágrimas, arrepios, momentos que existiram como eternidades, sonhos, desejos e o mais importante de tudo: olhei para a Amanda-criança e lembrei o que aquela menina queria ser, no compasso do tempo e então percebi que não preciso ter medo.

 Me surpreendi com tantas boas lembranças. Me surpreendi com a ideia de que o passado nada mais é do que a sensação que você teve ao ler o primeiro parágrafo desse texto. O passado, ainda que firmado em algum lugar, nada mais é do que junção de Amandas que fizeram o que devia ter sido feito no momento em que acertaram ou erraram (nunca esquecendo que esse conceito é particular e relativo). Sacrificar momentos em prol da insistente sensação de arrependimento é o mesmo que você se deparar com seu eu do futuro, parado na sua frente nesse exato momento, dizendo que você não tem direito de ser como é ou que está proibido de fazer o que deseja porque ele sabe o que está falando e você deve obedecer. Percebe esse diapasão do tempo entre você hoje e seu eu do futuro, frente a frente? E que esse ar planando entre vocês nada mais é do que os momentos aguardando as experiências surgirem enquanto a vida vai fazendo sentindo a cada passo que a gente se permita dar?

 Hoje um amigo disse que devíamos viver o presente pensando no futuro e eu concordei com ele. Não precisamos ter que decidir estar no passado, no agora ou no adiante. Mas, podemos sentir o que está tocando nossa vida nesse momento e escolher o que realmente queremos, porque “de ontem em diante serei o que sou no instante agora” (Teatro Mágico).

Pro momento de hoje, se a gente não está doente e de repente deu uma vontade louca de ver essa entrevista ou ouvir esse papo, termina aí e faz o melhor que você puder [pela sua vida]. (Dra Ana Cláudia Arantes)

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