Em palavras: A verdadeira casa é a de dentro.

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     Quando decidimos iniciar uma família com outro alguém, geralmente pensamos em qual cidade ou bairro morar, tipo de casa, móveis, decoração, plantas, se criaremos ou não cachorro e todos esses detalhes naturais que estrutura a decisão de viver em par. Temos a tendência de esquecer que a construção da verdadeira casa deve ser alicerçada e desenvolvida de dentro para fora: do espaço respeitado e garantido ao outro para o quintal; do apoio mútuo em crises, independente da raiva gerada por discussões, para a sala; aprender a identificar e estabelecer os seus limites e respeitar os do outro para a cozinha, o despertar do companheirismo, do mais profundo centro do relacionamento com o outro, para o quarto. Conversa de travesseiro é a tradução do companheirismo em cada gesto, cada vez que os braços de um procura o outro para acalmar, cada olhar, cada vez que a sensibilidade lhe faz despertar ao perceber que o outro não está bem. São muitas as semelhanças e diferentes de casal para casal.

     Tenho aprendido que a casa em que um casal decide viver é carregada dentro de cada um, independente de onde ele esteja e o que quer que ele faça. É fechar os olhos e ter a sensação de paz e tranquilidade bem conhecida naquele recanto separado do mundo, onde cada um sabe que pode ser exatamente como é, porque foi escolhido assim.

     Um lugar onde a mistura de dois não exclui a individualidade e a vontade de cada um, porque eles se escolheram – dentre tantas outros – pela simples e tão sincera vontade de estarem juntos. É acordar com o sol iluminando a cortina nas primeiras horas da manhã, perceber o silêncio entre os móveis e saber que todo aquele lugar também é seu. É identificar num ou noutro detalhes, suas características distribuídas pela casa ao lado de outras tão familiares e igualmente casadas ás suas. É ser recepcionado, depois de um exaustivo dia, com um belo sorriso e ter a certeza de que ali você é bem-vindo. É finalmente conseguir acordar de um pesadelo porque teve ajuda de mãos gentis que acariciavam seu rosto, preocupadas com sua agitação. É saber que uma briga não é suficiente para fazer com que tudo desmorone, porque afinal são duas pessoas com vontades e pensamentos diferentes, mas que se respeitam e confiam o suficiente para decidirem manter o compasso da trajetória partilhada.

     Na verdade, segundo o dicionário das pessoas esperançosas, casal vem do dialeto do amor, baseado na estrutura “casa + l”, que significa que um casal nada mais é que uma casa dentro do seu próprio lar.

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